domingo, 3 de julho de 2016

DO SABER DUMA GAIVOTA

DO SABER DUMA GAIVOTA

Coitadinha dessa tonta,
que vem todo dia ao mar,
esperar pelo amado
que não mais retornará.

Todo dia canta, às ondas,
um lamento sem tamanho
e esbraveja sua tristeza
- isso, eu sempre acompanho.

Do seu senso não mais dona,
pede ajuda ao doce vento,
pede novas do amigo,
que lhe traga algum alento;

e, ao mar, insiste, conta
seu profundo dessabor,
do seu riso que não volta,
do sofrer tanto de amor...

Isso, é certo, não me espanta,
pois a tradição lavrou:
a donzela é uma anta,
que o esperto enganou!

Da Série Diálogos, o poema é inspirado na cantiga medieval Altas undas que venez suz la mar, de Raimbaut de Vaqueiras.

♪ Izabella Medina ♪ O.A. 
♪ 03 de abril de 2016

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