DO SABER DUMA GAIVOTA
Coitadinha dessa tonta,
que vem todo dia ao mar,
esperar pelo amado
que não mais retornará.
Todo dia canta, às ondas,
um lamento sem tamanho
e esbraveja sua tristeza
- isso, eu sempre acompanho.
Do seu senso não mais dona,
pede ajuda ao doce vento,
pede novas do amigo,
que lhe traga algum alento;
e, ao mar, insiste, conta
seu profundo dessabor,
do seu riso que não volta,
do sofrer tanto de amor...
Isso, é certo, não me espanta,
pois a tradição lavrou:
a donzela é uma anta,
que o esperto enganou!
Da Série Diálogos, o poema é inspirado na cantiga medieval Altas undas que venez suz la mar, de Raimbaut de Vaqueiras.
♪ Izabella Medina ♪ O.A.
♪ 03 de abril de 2016
Nenhum comentário:
Postar um comentário