sábado, 29 de janeiro de 2011

Corais


CORAIS
                       
                                         a Ferreira Gullar


              Duros, lânguidos, impuros
              em porto, corpo, cais
              e em profundos sussurros,
              iludiram-me os corais.


                     A abissal aquário enfeitam,
                     com cores e formas, a cintura.
                     Carícias, apertos, ondas, tão
                     imensos movimentos de ternura.


              Uma, outra e outra vez...
              deleite em reflexo lunar
              e, na estúpida nudez,
           

                     lançarão-me o níveo mar,
                     uma, outra e outra vez,
                     na breve ilusão de amar...

                                            
                         
                           

                                                                                                   O.A. 15 de Agosto de 2010, 15:10h

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Amphibius

AMPHIBIUS


Na noite sombria,
abria-se em úmido
deleite.

Mas agia indiferente
e fria a elástica
fêmea.

Demente e profana,
luzia leviana
e vazia,

como agia, engana.



O.A.: 11 de set de 2010, 01:16h  

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Limitações

 23 de out. de 2010. 19:47h 
LIMITAÇÕES

                         em memória de Charles Bukowsky

Amamos, no outro, tudo
aquilo que nos falta.
Mas é o tempo tão curto
e veloz a noite alta...

Pena! A vida é finita.
Sofro em jardins e flores.
Meu sonho, a lei limita:
gozar de mil amores;

e penso: se eu pudesse
viver mais de mil anos,
se ao menos conhecesse,

amaria os dez mil outros
num sonho vil, profano,
do real anseio em mim.


Venero, sobretudo, amo
a 2ª declinação do Latim.


                                                         

sábado, 1 de janeiro de 2011

Insano

INSANO
                            à lembrança de um amor

Entre noites e alvoradas
paira o mesmo desalento:
em minha'alma atormentada
só tristeza, chuva e vento.

E do desejo profano
se agitam braço e pernas,
faço bem o meu engano,
faço, a mim, juras eternas

e, nas minhas veias, corre
o veneno consciente
da esperança que não morre,

mesmo com seu "não" tirano;
e esse meu olhar doente
fito em dor, em flor, insano...
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