sábado, 18 de agosto de 2012

Poeta moribundo

POETA MORIBUNDO



Fez do sangue de seu corpo
mera tinta de caneta
e escreveu sequer um verso.

A palavra, rasgando-lhe o dorso,
fazia escorrer do papel carne
a rubra tinta. Viu-se nela submerso,

de súbito, o poeta, e absorto,
infecundo, sem rumo, sem timbre.
Nem palavra ou torto verso

mais brotava de seu tronco
nem podia mais ser livre,
mas perdido e sem porto;

e mesmo com tanto labor,
morreu em um segundo.
Diga, então, caro leitor,

se há dor maior no mundo?
Dilacera um'alma a cor,
de um poeta moribundo.

 Oria Allyahan & Marina Carvalho
17:12h, 14 de abril de 2012
13:42h, 04 de agosto de 2012
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