domingo, 3 de julho de 2016

CRÔNICA

CRÔNICA

Olha, eu ando por aqui
desse povo tão experto,

de intelecto sem freio,
que se julga sempre certo,
culto, justo, tão liberto
em bradar discurso alheio.

E nem quero ouvir falar
dessas nobres minorias,

com afã de justiceiras,
que, berrando hipocrisias,
reivindicam regalias,
de que querem ser herdeiras.

Também ando impaciente
com o mundo dos perfeitos,

gente boa, rica e linda.
Numa vida sem defeitos,
sob a graça dos efeitos,
a alegria nunca finda.

Para onde vai o bonde,
levando esses sabidos,

guiado por torpes heróis,
lotado de rostos torcidos,
com tanto valor invertido
de gente que nada constrói?

Vasto mundo traiçoeiro,
mais parece uma cilada!

Se eu me chamasse Fausto,
não daria mesmo em nada,
só seria um nome falso
numa crônica rimada.

Izabella Medina ♪ O.A.
29 de abril 2016

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