Neguei,
como quem refuta o crime
quando já se sabe o culpado,
como aquele que, em segredo, sofre
quando, em dor, sonha ser amado,
como quem anseia que o tempo passe,
mas quer regressar no final,
e como um corpo que reluta
contra a doença mortal,
como a chuva que cai,
mas que quer morar no céu
e como quem perde a luta
e olha, de longe, o troféu,
como membros que sentem intensa a música,
mas que não se mover podeme como quem nada contra a correnteza
e, sem fôlego, contudo, morre...
Neguei e neguei-a intensamente
e, por assim ser, fiz de mim ausente.
mas bastou um verso terno
para entrar-me docemente.
De todo o racional, decerto, já sabia,
como quem, um dia, negou a vida
e, hoje, faz poesia.
Oria Allyahan - 19 de junho de 2013 - 03:13h
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