sábado, 26 de maio de 2012

CONFABULANDO

O jumento disse:
- Bata mais devagar se não empaco!
E o homem não disse, zurrou em cima da carroça, com o matinho na boca e rédeas nas mãos.



O.A. 25 de maio de 12; 09:55h 

sábado, 5 de maio de 2012


LAMPEJOS DA RAZÃO

a Roberval Pereyr


A cena foi vista de binóculo.
Viu em seu chapéu um rouxinol pousar.
Não sabia o leitor que o poeta,
diante do espelho,
pôs-se atento a observar.
Ainda assim, foi para dentro,
para dentro de si mesmo,
tão profundo aquele olhar...


O.A. 21 de nov de 2011; 02:06h

quarta-feira, 2 de maio de 2012





MAL-ESTAR

Acordou atordoado. Olhou, sonolento, o dia pela janela: a luz já se fazia presente. Ainda na cama, fitou o rádio relógio, que tocava aquela música e marcava sete da manhã. A luz do sol era ainda tênue. Analisou seu relógio de pulso analógico e viu que era noite ainda. Arrebatou, desesperado, o celular do criado-mudo. A tarde chagara...


O.A.: 19 de fev de 2011  

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Tuiuiu, 
meu singelo cacto.

* Trecho do poema O cacto, de Manuel Bandeira

TUIUIU

a certo cacto regalado, "belo, áspero, intratável" * 

Um cacto, então, ganhou:
como o vôo de uma ave
era meigo. Mas sem flor
e d'espinhos cor de neve...

Da janela o abateu,
num dia, um vento leve.
e seu corpo se rompeu
pois tombou, no chão, tão breve.

Se era ave só de nome
não chegou ao solo intacto.
Não foi fúria de siclone

que levou ao chão o cacto.
Nem seu corpo de Laocoonte
partiu de postes cabos.

O.A. 13 de abril de 2012. 17:30h 

segunda-feira, 26 de março de 2012

A ÚLTIMA SINFONIA

a uma geração fodida

La do la do do sol
sol fa la do maior sol fa
Do la do do sol
do la do do maior sol
mi fa la do sol fa
do sol fa

sol

fa

...

O.A.: 24 de março de 2012  ♪  04:58h 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ANTIGRAVITACIONAL

                   a tio Cris
Quando fito as estrelas
mais venero as formigas
menos amo a humanidade

Quando olho as formigas
mais cultuo as estrelas
menos amo as cidades

Mais adoro as estrelas
e menos formigas vejo
contemplando a humanidade...


O.A. 22 de jan de 2012  02:22 h 

sábado, 12 de novembro de 2011

RE-NOVATĬO

Escuro e denso, frio chão da floresta,
já nem sinto mais estas velhas dores...

Oh, chão, que recebe grato e em festa
o sumo de pele, aqui brotam flores
de aromas e cores; derme funesta,
sensível ao toque de tantos amores...

Campos e relvas esta pele infesta
e dá belos frutos de muitos sabores.


O.A.: 11 de novembro de 2011  ♪  03:30h